quinta-feira, 7 de novembro de 2013

The Cure

“Curar-se não é deixar de sentir sintomas, mas trocar repressão por compreensão; ignorância por sabedoria; ansiedade por contentamento; psicodelismo por alegria tranquila; alienação por autoconhecimento; desespero por coragem; regressão por evolução; erotismo por amor; fadiga por energia; ódio por benevolência; guerra por paz; medo por serenidade; tédio por alegria de viver; prazeres medíocres por felicidade duradoura; astenia por vibração; vício por liberdade; vazio por plenitude; mentira por verdade; desejos por vontade; agitação por quietude; desvarios por sobriedade; dependência por autossuficiência; brutalidade por refinamento; angustia por segurança; fragmentação por unidade; doença por higidez; ociosidade por ação fecunda; embotamento por criatividade; distância de Deus por eucaristia;  apego por renuncia; hipocrisia por autenticidade; ressentimento por perdão; fragilidade por invencibilidade; passividade por cooperação mendicidade por doação; cobiça por desapego; distância e conflito, carência e sofrimento por yoga.”

-Hermógenes 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dicotomias Interiores

Eu já vi de tudo nessa vida.
Desci até o mais profundo e íntimo da alma.
Fui ao inferno. Já fui elevada ao céu. 
Já estive em todos os tipos de lugares. 
Andei com todo tipo de gente. 
Já vi gente chorando, e chorei junto.
Já vi gente chorando, e ri. 
Já vi gente rindo, e chorei. 
Já perdi minha sanidade milhares de vezes.
Em outras, fui a única sã vivendo em meio a loucos. 
Já presenciei milagres acontecendo na minha frente.
Outras vezes, nem eram milagres. 
Foram só fatos ocorridos em sincronia: dia/hora/momento apropriado.
Já fiz o santo virar profano. E vice-versa. 
Já estive face a face com deus,outras vezes era o diabo quem falava ao meu ouvido.
Já fui muito longe, a ponto de quase não voltar. 
Já fiquei parada, enquanto tudo à minha volta se destruía. 
Já sentei e vi a tempestade passar.  
Já levantei e lutei contra tudo e contra todos.  
Já quis viver, já quis morrer. 
Já quis fugir. Já quis ficar. 
Houve vezes, (muitas até) em que eu não sabia o que querer. 
Já vi minha paciência escorrer pelo ralo do banheiro. 
Já descobri ser dona de calmarias até antes desconhecidas por mim. 
Já quis viver isolada dessa sociedade. 
Já quis viver rodeada de gente. 
Às vezes prefiro o silêncio. 
Às vezes prefiro o barulho, o movimento.
Sei ser brisa e vendaval. 
Sei ser água, sei ser fogo. 
Sei ser rainha, sei ser pebléia.
Sei ser inércia, sei ser movimento. 
Sei ser desprezo, sei ser paixão. 
Sei ser apenas mais uma. 
Sei ser Aquela.  
Sei ser muitas, dentro de uma só. 

domingo, 21 de julho de 2013

Freud explica?

A História, de modo geral, nunca é contada como um todo. Existe sempre um lado “certo” ou “bom” e um lado “mau” e “ruim”. Vemos isso desde que o mundo é mundo e os humanos habitam a Terra: sempre um dos lados é tido como verdadeiro,  muita das vezes ignorando o outro lado; o lado do “perdedor”.
O “vencedor” – aquele que conseguiu impor sua força sobre os demais – é aquele que detêm a voz, o poder de contar sua versão, e assim, criar ou modificar um fato.  Quem se cala, ainda que esteja certo, automaticamente é tido como errado, por apenas ter preferido não se desgastar em contar e recontar a mesma história, até que todos a tenham como verdade.
Talvez meu pecado seja a preguiça de gritar aos quatro ventos tudo que se passa na minha vida;  gerar satisfações e justificativas a cada atitude minha àqueles que se acham no direito de serem possuidores de mim. Talvez meu pecado seja apenas assistir enquanto mentiras e calúnias são ditas, fatos distorcidos, suposições feitas e teorias mirabolantes elaboradas.

Por que para a maioria das pessoas, é mais fácil apenas acreditar em quem está presente, a buscar lapidar a verdadeira verdade. Enquanto isso continuo aqui, me fingindo de cega, surda, muda; fazendo de conta que no fim das contas, algo sobre tudo isso fará sentido.

sábado, 6 de julho de 2013

Não só de votos se faz um país...

“O gigante acordou!”, “Vem pra Rua!” e “Queremos escolas e hospitais no padrão Fifa” sem sombra de dúvida foram as frases mais ditas pelos brasileiros no ultimo mês. Concordo com os protestos, sem sobra de dúvidas. Se estiver errado, é evidente que o povo brasileiro deveria ir à rua e mostrar aos governantes o poder de sua voz. O que aparentemente ficou esquecido desde o movimento das Diretas Já.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Até quando

"Anseio de ir sempre além, vontade de nunca chegar, jamais porto tão sedutor a ponto de me fazer ancorar."

domingo, 30 de junho de 2013

Arnaldo Antunes Fala

Retirado do DVD "Ao Vivo Lá em Casa", de 2010.

"Toda pessoa já é talentosa por natureza. Porque você  sabe usar o discurso: você fala com sua mãe de um jeito; com o policial de outro; com o porteiro do prédio de outro; com o seu filho de outro... O discurso se adequa. Eu na verdade tenho o anseio de estar o tempo todo de certa forma alterando a sensibilidade, a consciência das pessoas; mas ao mesmo tempo, tenho um desejo muito da simplicidade, da naturalidade, de estar dizendo às vezes umas coisas que são óbvias, só que as pessoas não estavam vendo sob aquela óptica, aquele ponto de vista. Daí as pessoas falam da alma ser aquilo que você tem “lá dentro”, escondido no fundo, mas a alma está na pele. E a música traz muito isso. Por isso que ela faz a pele arrepiar, o pé bater no ritmo, as pessoas dançarem, ela move a coisa do corpo.
Eu acho que a questão da arte está muito em como você faz as coisas, talvez mais do que no que você faz. Sempre que eu vou fazer uma canção, ou mesmo escrever algo, parece que eu não sei se eu vou conseguir, é sempre uma aventura; e então eu acabo dando um jeito e consigo, mas não conseguir está sempre presente. Eu posso não conseguir.
O tempo todo é um contraponto de ação e repouso, de fala e silêncio, de som e silêncio, você têm o pé e o espaço para dar o passo. Tem o vazio, e isso que faz a coisa se movimentar.
Eu gosto da coisa profana, da coisa híbrida, da coisa mestiça, suja, gosto do berro, a voz que tem o elemento do ruído incorporado. Pra mim, criar sempre foi um sintoma de bem estar, um sintoma de que eu estou alegre. Acho que qualquer pessoa quer estar bem, acho que isso deveria ser um princípio comum a todo mundo."

Gosto bastante dessa fala dele, resume bem muita coisa que eu penso. 

Ao Gigante, com carinho

Depois te tanto tempo, hoje recebi notícias suas. Por alguns instantes fui levada de volta ao passado, à época que estávamos juntos. Lembrei-me do teu cheiro, e do teu abraço apertado. De quando você me fazia raivinha só pra me ver fazendo cara de brava. Lembrei-me das nossas tardes ociosas de sábado, das vezes que você cozinhava pra mim, do teu sorriso, de dormir de conchinha e de quão doce era sua voz me acordando, me dizendo “acorda, minha pequena dorminhoca”. Tantos planos, tantas gargalhadas, tantos dias ensolarados. Foram bons tempos.  Falaram-me ainda que você está feliz. O que secretamente aqueceu meu coração. Soube também que você teve uma filha, ela tem muita sorte de ter um pai como você. Eu sempre disse que seria um ótimo pai. Ela é linda, a propósito. Tem seus olhos e seu cabelo bom. Aquele que eu sempre odiei por ser “melhor” que o meu. Mas me foi estranho pensar que a mãe dela não é eu. Também me contaram da faculdade, o que realmente me surpreendeu um pouco.
Apesar de você continuar longe, e de tudo que aconteceu, nós dois sabemos que nossa ligação ainda é maior que tudo. Você sempre vai ter um espaço reservado na minha vida, por ter sido o primeiro, e por tudo que passamos juntos. Carrego até hoje traços que você me ajudou a moldar, e sempre que as coisas voltam a ficar bem ruins eu paro e penso: “o que será que ele me diria pra fazer?” Nosso romance passou para amor, e de amor para carinho, e de carinho para respeito. E queria que tu soubesses também que até hoje eu considero estranho que eu tenha gostado tanto do seu all star azul, que combina com o meu preto de cano alto. ;]
Já eu estou namorando, ele é legal, nos entendemos. Troquei de faculdade de novo. Mas dessa vez é pra valer. As coisas estão aparentemente no lugar que deveriam estar. Me livrei daquele cabelo enorme e loiro, e perdi (finalmente!) a carinha de criança que tu adorava tanto, e eu sempre odiei. Apesar de tanto tempo longe, tu ainda consegue controlar meu humor indiretamente. Mas eu não achei isso ruim dessa vez. Senti certo alívio em saber que as coisas deram certo pra ti. Espero que toda sorte e bonança continuem te acompanhando, meu querido.
Com amor, sua eterna pequena.


Meu eu Borderline

Borderline, ou Transtorno de personalidade limítrofe, é um disfuncionalidade psíquico caracterizada pela instabilidade de humor, algumas vezes confundida durante o diagnóstico com bipolaridade ou depressão. No Border, o que caracteriza tal instabilidade é o fato das emoções sempre estarem à flor da pele, o que tornando tudo extremamente intenso, confuso e desorganizado. Num momento pode estar tudo bem, entretanto, no momento seguinte, sem aparente motivo, tudo se desequilibra. Isso vale também para as emoções boas, que possuem mais intensidade num portador de borderline do que numa pessoa dita “normal”. Tal intensidade manifesta-se principalmente nas relações interpessoais, em especial nas amorosas, onde há extrema necessidade de sentir-se aceito, e a qualquer sinal de rejeição (de acordo com a visão do Border, não necessariamente que tal rejeição tenha ocorrido) tudo rui de forma que o indivíduo entra numa leve depressão, podendo se agravar e chegar ao suicídio, que ocorre em 10% dos pacientes com Borderline.
Há também a necessidade vital de sempre estar perto de coisas e pessoas novas; impulsividade em quase todas as atitudes; constante dúvida a respeito de si próprio, crises de identidade frequentes; vazio interior; descontrole emociona, entre outros aspectos que não citarei aqui. E uma última anotação a respeito: não tem cura. O paciente, quando acompanhado  por um profissional (psiquiatra, psicólogo ou analista) apenas aprende a lidar com tal turbilhão, de forma a não se deixar dominar por si mesmo. Atinge tanto homens quanto mulheres, mas pelo próprio aspecto cultural de mulheres demonstrarem mais emoções que homens, faz do Borderline uma doença mais “feminina” que masculina. Exemplos de famosos com Borderline: Amy Winehouse, Angelina Jolie, Marilyn Monroe, Britney Spears, entre outros.

Descobri recentemente ser dona de tal personalidade, e de repente, todas as minhas angústias fizeram sentido. Houve uma explicação plausível para tudo que acontecia comigo. Por muito tempo, me senti confusa em relação a muita coisa à minha volta. Sentimentos como raiva tomavam conta de mim por motivos pequenos, sem uma justificativa real. Sempre fui “camaleoa”, em busca de coisas que me ajudassem a ter uma identidade só minha. E no quesito relacionamentos, bem... Sempre fui com completo desastre. Ou havia exagero na dose, ou faltava algo. Minha dificuldade em manter-me por muito tempo com uma mesma pessoa também sempre foi um grande problema. Não me recordo de nenhuma vez em que eu estivesse num relacionamento e de fato estivesse completamente feliz. Ainda estou deveras confusa em relação a tudo, creio que isso vai me perseguir eternamente, mas aos poucos vou tentando não deixar essa “anormalidade” me dominar. É uma luta diária, constante, sofrida, de mim contra mim mesma. Mas eu não posso usar isso como pretexto para minhas atitudes. Apesar de que sempre é bem difícil perceber quando eu não estou sendo nada racional.  Creio que o maior pecado do Border é entregar-se por inteiro a tudo, seja um amor, seja no trabalho, seja nas amizades. Ninguém aguenta levar a carga alheia e a sua também. Tento me vigiar para não exigir demais daqueles que me cercam. Tal motivo me levou a preferir a solidão como meio de proteção. Não que eu não tenha amigos ou um namorado, eu só prefiro mantê-los não tão próximos. Tal motivo também me levou a preferir não me envolver emocionalmente, para evitar danos futuros. Apesar de já ter aprendido que sempre alguém irá me quebrar, propositalmente ou não; e que no fim a gente sempre se cura. Leve o tempo que levar. O que eu tento pensar é: se eu mesma não me manter inteira e lutar por mim, dificilmente outros conseguirão fazê-lo.

Peço perdão às duas pessoas que leem esse blog, é que eu preciso de uma “angústia Kafkaniana” para conseguir produzir algo que eu considere decente para compartilhar, e ultimamente eu não ando pensando muito em emoções ou em como eu me sinto em relação a tudo. Preocupações maiores como trabalho e faculdade andam tomando meu tempo. Em contrapartida, a partir de agosto produzirei com mais frequência artigos relacionados à minha nova área, assim espero.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Há exatos 25 anos você chegava aqui. E quem diria que 1/4 de século depois da tua permanência nessa Terra você chegaria  na minha vida. Eu gostaria nesse dia de te agradecer. Agradecer por tudo. Agradecer a cada palavra, a cada gesto,  cada vez que você atura toda minha chatice, cada momento que passamos juntos, cada vez que você pára pra me ouvir, a cada sorriso que você me faz ter. Tu me fazes querer ser a cada dia uma pessoa melhor, me faz crer nas pessoas, ter um pouquinho de fé na humanidade. Ou melhor, ter um pouquinho de fé nEle. Li uma vez que quando se muda uma vida, se consegue mudar o mundo. Pois bem, você mudou o mundo. O meu mundo. Talvez você nunca perceba o tamanho do impacto que tu causaste. Parece que tudo está no seu devido lugar mais uma vez. Não é qualquer um que me causa uma mudança, ainda mais mudanças somente positivas. Só o fato de ouvir tua voz me acalma, traz paz a essa mente barulhenta e quase incansável, e me faz perceber que meus dragões na maior parte do tempo são apenas moinhos de vento. Meu medo parece bobo agora.  Meu sono é mais tranquilo contigo, meus dias mais cheios de cor. Os dias parecem horas, as horas minutos, os minutos segundos. Quando me dou conta passei quatro, cinco, seis horas contigo.  Eu sei que nossa história apenas tá no comecinho, mas eu sinto que ela não termina tão cedo. Os laços que nos ligam vão além desse mundo, e você sabe disso. É do teu lado que a cada dia eu construo minha vida nova. Eu te amo, e te desejo toda a felicidade que a vida possa te proporcionar. Obrigada por estar aqui sempre comigo, de verdade.

Ps: Me perdoa por cada vez que eu te causo taquicardia,mas é lindo te ver morrendo do coração, te amo <3

domingo, 3 de março de 2013

Ensaio sobre Ela parte III


Seriam aquelas contrações involuntárias em seu rosto resquícios de um sorriso? Por mais que ela lutasse contra, a resposta era sim. Ella estava feliz. Muito feliz. Há tempos não sentia o coração aquecido daquela maneira. Sentia vontade de cantar, dançar, gritar ao mundo que tudo tinha encontrado seu lugar. E aparentemente toda aquela agonia fora afastada, mesmo que momentaneamente. Tinha alcançado sua paz. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pula, apenas.

Não concordo com a máxima de que a medida que o tempo passa a vida fica mais difícil. Não mesmo. A gente que impõe a tal da dificuldade.Nós que complicamos, os outros complicam pra gente. É comprovado cientificamente que crianças têm mais facilidade de aprendizado que adultos. Mas porquê? A resposta se resume a quatro palavras: elas não tem medo.Não importa o que os outros vão pensar, ou se estarão erradas. E de repente, boom! Fazem uma descoberta, aquela sensação gostosa de conquista do novo. De fato, a vida é mais assustadora quando somos crianças. Eu mesma tinha pavor de certas coisas, uma delas era de adultos. De ser adulta.Só que um dia a gente cresce, e todo mundo, inevitavelmente, pega uma doença, uma bactéria que se aloja no coração e ainda não inventaram uma vacina eficiente que previna ou acabe com esse mal: o tal medo, cria a zona de conforto. Esse bichinho que se aloja na alma das pessoas grandes faz elas acreditarem que, sentadas no trono de veludo que é a zona de conforto, a vida é mais eficiente. Todavia, não percebem que esse trono também fecha nossos olhos. Acostumados apenas ao preto-e-branco, não conseguimos sequer enxergar o colorido que está a nossa frente. Alguns cegos, outros com a visão embaçada, acreditam piamente que a vida é apenas aquilo e pronto. Te fazem crer que você não precisa cometer erros pra aprender o que é o certo. Qualquer mudança mínima que seja é tida como um grave atentado. O importante é estar sempre confortável, acomodado. Te prendem a uma rotina e quando você percebe, os sonhos ficaram distantes demais para serem alcançados. Mas quer saber? Como eu sou boazinha vou contar uma coisa pra vocês: não tem nada de errado em errar. É o que te faz humano, basicamente. E você não percebe  mas é no risco que se encontra a magia da vida. Na incerteza, (favor não confundir com imprudência)é o fato de você nunca saber o que lhe aguarda na próxima esquina. E eu digo por experiência própria: QUALQUER SITUAÇÃO, POR MAIS TENEBROSA QUE PAREÇA, SEMPRE, EU DISSE S E M P R E TRARÁ UM APRENDIZADO POSITIVO.Arrisca, tenta. Te levanta e tira essa venda dos teus olhos. Perde o medo. Vais ver que a vida é muito mais divertida. E citando Leminski, "nunca cometo o mesmo erro duas vezes, já cometo uma, duas, três, quatro, cinco, seis... Até esse erro aprender que só o erro tem vez." Pula, apenas. A sensação de voar compensa qualquer possível dano causado na queda. E quem garante que você não possui asas? 

Ensaio Sobre Ela, parte II

Estava mergulhada numa angústia quase kafkaniana. Questionava-se o porquê do ser. Nesse emaranhado de emoções e autorreflexões, ela mesma não percebia que aquilo a estava matando. Aliás, esse era um outro ponto que a incomodava bastante: o fato de ainda estar viva. Sobrevivera a muita coisa, mas era incapaz de não sucumbir às profundezas obscuras da alma. De fato, a fragilidade externa daquele ser escondia uma força quase que sobrenatural. E ela era consciente disso. Sem perceber, se afastou dos amigos, parou de se alimentar. Aquela aflição a assolava de uma forma tão intensa que sair da cama era um sacrifício. Em contrapartida, sabia a razão de todo esse alvoroço sentimental: aquele homem que cruzara seu caminho, e ainda que inconscientemente mexera com a organização pragmática e ortodoxa que era seu mundo. A ideia de talvez se envolver mais profundamente com outro ser humano a assustava, causando-lhe um misto de raiva e curiosidade.  

Sobre: Ensaio sobre Ela

"Ensaio Sobre Ela" é um conto, talvez o mais antigo escrito por mim. Ella, a personagem, me acompanha há pelo menos quatro anos. Nunca consegui dar um rumo definido para ela, já que não tive uma inspiração específica. Ella pode ser qualquer uma. Pode ser eu, você, sua amiga. Sua mãe. Qualquer mulher que possua angústias e se identifique com seus dilemas interiores. 
Então, eu encontrei alguns trechos escritos ao longo desses anos, e voltei a escrever. Aos poucos vou publicando aqui algumas partes, já que essencialmente "Ensaio Sobre Ela" é composta de pequenas narrativas cotidianas da personagem. 
Então é isso. Até a parte II.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ensaio sobre ela, parte I

"Ela queria que a amassem, mas queria impedir que isso acontecesse. Queria se apaixonar, mas tinha medo de entregar seus sentimentos dessa maneira tão acentuada. Queria partilhar sua vida com alguém, mas tinha certeza que seria incapaz de suportar tamanha proximidade com outro ser humano. Muitas vezes, ao tentar essa proximidade com o outro, tentava de forma vã demonstrar seus sentimentos, todavia sempre ressaltando que a mesma era uma pessoa 'má'. Muitos deles não levaram isso a sério, apenas entendiam como um pequeno charme ou que ela não conhecia o potencial de sua doçura e amabilidade. Mas ela se conhecia muito bem a ponto de saber que aquilo não era mentira."

Ela

De um ímpeto em minh'alma eu te desejo
Tudo de mais obscuro que a vida ofereça 
Todo infortúnio, a desventura,o flagelo
Pois despertastes em mim 
Algo jamais experimentado
A doçura do teu afago fez-me feliz
Agora, por mim és maldita
E espero que sofras, ainda que distante
Toda a amargura que um dia me fizeste passar.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Im back, living in a new town


Eu prometi uma postagem por semana aqui, eu sei. Prometi também parar de procrastinar tanto e (tentar) manter meu foco em algo que eu possa reaproveitar no futuro, também sei.
Peço desculpa aos 3 fãs que eu tenho (uso a palavra fã em substituição à palavra stalker, assim fico mais a vontade) e são frequentadores assíduos dessa caixa, porém a vida não tá fácil. A vida não é fácil mas isso é conversa clichê pra outras horas. Mudei de estado e pela primeira vez (acredito eu) estou num lugar em que eu não conheço absolutamente ninguém. Trancafiada em casa, venho sido constantemente assolada por pensamentos, memórias, vozes, flashes de fatos que há muito me ocorreram, lembranças ao mesmo tempo boas e ao mesmo tempo nem tanto. Venho remoendo, por exemplo, aquele acampamento no outono de 2009, como foi o fim de semana mais exótico que eu tive em Gramado. Também aquela sexta-feira nublada, em que tudo saiu dos trilhos. Ainda, venho sempre me lembrando da época que eu fazia trabalho voluntário naquela instituição (não me recordo o nome) em Porto. Ando sentindo falta daquela sensação de coração aquecido que ajudar os outros me trazia. E de como a maioria das pessoas ainda se surpreende o quão dócil eu consigo ser. Sei que ainda esses pensamentos  vão me levar à loucura ou à morte. Talvez não a morte física, mas para a morte de espírito. Uma pessoa presa ao passado é uma pessoa morta. E convenhamos, por mais que todos esses anos eu tenha me esforçado (e feito progressos consideravelmente grandes) ainda me prendo ao velho "como será que aquilo deveria ter sido?"
Vim para cá com o intuito apenas de tentar limpar minha mente da bagunça que tem sido minha vida todo esse tempo. Mas vocês (dirijo a palavra apenas aos amigos e aos não-amigos - fãs vocês não devem se incluir aqui, por favor) não saem do meu pensamento. Aos amigos, isso é a mais pura prova do quanto eu sinto falta de vocês, e do quão especial vocês são pra mim. Cada sorriso, cada vergonha passada juntos, cada abraço dado e recebido. Valeu a pena (segura o choro, sou mulherzinha agora). Aos não-amigos, o quanto cada acontecimento me trouxe uma lição que eu guardo até hoje. Tenho o nome de vocês nitidamente guardado no peito, não por remorso ou algo do gênero, mas pro caso de nos esbarrarmos pelas esquinas da vida, saberei como agir. Afinal, não é fácil pra quem não sabe guardar mágoa e realmente só leva consigo aquilo que constrói entender o motivo de certas atitudes por parte de vocês, queridos não-amigos.
E sobre Belém: eu ainda não saí de casa com o intuito de explorar a "cidade das mangueiras" mas assim que eu começar a fazê-lo prometo escrever aqui. Tanto o que deve ser visto quanto para que os moçoilos e moçoilas devem fechar os olhos/ignorar/correr e sair gritando. Será divertido.
Ah sim, encontrei o tão procurado poema sobre Chris. Postarei em breve.
Até a próxima. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Nas margens de mim

Faço, 
Refaço,
Construo,
Desfaço,
Invento,
Me reinvento,
Catavento.
Inovo, 
Crio,
Renasço,
Invento,
Nasço de novo,
E de novo,
E de novo. 
Vou de um extremo ao outro, sem nunca sair de dentro de mim. Me submerjo num mar de doces ilusões e alguns sonhos abandonados ao longo do caminho. Na esperança de que movido ao fracasso de uma vida sem expectativas, meu barco zarpe para terras mais distantes.