Borderline, ou Transtorno de personalidade
limítrofe, é um disfuncionalidade psíquico caracterizada pela instabilidade de
humor, algumas vezes confundida durante o diagnóstico com bipolaridade ou
depressão. No Border, o que caracteriza tal instabilidade é o fato das emoções
sempre estarem à flor da pele, o que tornando tudo extremamente intenso,
confuso e desorganizado. Num momento pode estar tudo bem, entretanto, no
momento seguinte, sem aparente motivo, tudo se desequilibra. Isso vale também
para as emoções boas, que possuem mais intensidade num portador de borderline
do que numa pessoa dita “normal”. Tal intensidade manifesta-se principalmente
nas relações interpessoais, em especial nas amorosas, onde há extrema
necessidade de sentir-se aceito, e a qualquer sinal de rejeição (de acordo com
a visão do Border, não necessariamente que tal rejeição tenha ocorrido) tudo rui
de forma que o indivíduo entra numa leve depressão, podendo se agravar e chegar
ao suicídio, que ocorre em 10% dos pacientes com Borderline.
Há também a necessidade vital de sempre estar
perto de coisas e pessoas novas; impulsividade em quase todas as atitudes; constante
dúvida a respeito de si próprio, crises de identidade frequentes; vazio
interior; descontrole emociona, entre outros aspectos que não citarei aqui. E
uma última anotação a respeito: não tem cura. O paciente, quando
acompanhado por um profissional (psiquiatra,
psicólogo ou analista) apenas aprende a lidar com tal turbilhão, de forma a não
se deixar dominar por si mesmo. Atinge tanto homens quanto mulheres, mas pelo
próprio aspecto cultural de mulheres demonstrarem mais emoções que homens, faz
do Borderline uma doença mais “feminina” que masculina. Exemplos de famosos com
Borderline: Amy Winehouse, Angelina Jolie, Marilyn Monroe, Britney Spears,
entre outros.
Descobri recentemente ser dona de tal
personalidade, e de repente, todas as minhas angústias fizeram sentido. Houve
uma explicação plausível para tudo que acontecia comigo. Por muito tempo, me
senti confusa em relação a muita coisa à minha volta. Sentimentos como raiva
tomavam conta de mim por motivos pequenos, sem uma justificativa real. Sempre
fui “camaleoa”, em busca de coisas que me ajudassem a ter uma identidade só
minha. E no quesito relacionamentos, bem... Sempre fui com completo desastre.
Ou havia exagero na dose, ou faltava algo. Minha dificuldade em manter-me por
muito tempo com uma mesma pessoa também sempre foi um grande problema. Não me
recordo de nenhuma vez em que eu estivesse num relacionamento e de fato
estivesse completamente feliz. Ainda estou deveras confusa em relação a tudo,
creio que isso vai me perseguir eternamente, mas aos poucos vou tentando não
deixar essa “anormalidade” me dominar. É uma luta diária, constante, sofrida,
de mim contra mim mesma. Mas eu não posso usar isso como pretexto para minhas
atitudes. Apesar de que sempre é bem difícil perceber quando eu não estou sendo
nada racional. Creio que o maior pecado
do Border é entregar-se por inteiro a tudo, seja um amor, seja no trabalho,
seja nas amizades. Ninguém aguenta levar a carga alheia e a sua também. Tento
me vigiar para não exigir demais daqueles que me cercam. Tal motivo me levou a preferir
a solidão como meio de proteção. Não que eu não tenha amigos ou um namorado, eu
só prefiro mantê-los não tão próximos. Tal motivo também me levou a preferir
não me envolver emocionalmente, para evitar danos futuros. Apesar de já ter
aprendido que sempre alguém irá me quebrar, propositalmente ou não; e que no
fim a gente sempre se cura. Leve o tempo que levar. O que eu tento pensar é: se eu mesma não me manter inteira e lutar por mim, dificilmente outros conseguirão fazê-lo.
Peço perdão às duas pessoas que leem esse blog, é
que eu preciso de uma “angústia Kafkaniana” para conseguir produzir algo que eu
considere decente para compartilhar, e ultimamente eu não ando pensando muito
em emoções ou em como eu me sinto em relação a tudo. Preocupações maiores como
trabalho e faculdade andam tomando meu tempo. Em contrapartida, a partir de
agosto produzirei com mais frequência artigos relacionados à minha nova área,
assim espero.
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