segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ensaio Sobre Ela, parte II

Estava mergulhada numa angústia quase kafkaniana. Questionava-se o porquê do ser. Nesse emaranhado de emoções e autorreflexões, ela mesma não percebia que aquilo a estava matando. Aliás, esse era um outro ponto que a incomodava bastante: o fato de ainda estar viva. Sobrevivera a muita coisa, mas era incapaz de não sucumbir às profundezas obscuras da alma. De fato, a fragilidade externa daquele ser escondia uma força quase que sobrenatural. E ela era consciente disso. Sem perceber, se afastou dos amigos, parou de se alimentar. Aquela aflição a assolava de uma forma tão intensa que sair da cama era um sacrifício. Em contrapartida, sabia a razão de todo esse alvoroço sentimental: aquele homem que cruzara seu caminho, e ainda que inconscientemente mexera com a organização pragmática e ortodoxa que era seu mundo. A ideia de talvez se envolver mais profundamente com outro ser humano a assustava, causando-lhe um misto de raiva e curiosidade.  

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