A História, de modo geral, nunca é contada como um todo.
Existe sempre um lado “certo” ou “bom” e um lado “mau” e “ruim”. Vemos isso
desde que o mundo é mundo e os humanos habitam a Terra: sempre um dos lados é
tido como verdadeiro, muita das vezes ignorando
o outro lado; o lado do “perdedor”.
O “vencedor” – aquele que conseguiu impor sua força sobre os
demais – é aquele que detêm a voz, o poder de contar sua versão, e assim, criar
ou modificar um fato. Quem se cala,
ainda que esteja certo, automaticamente é tido como errado, por apenas ter
preferido não se desgastar em contar e recontar a mesma história, até que todos
a tenham como verdade.
Talvez meu pecado seja a preguiça de gritar aos quatro
ventos tudo que se passa na minha vida; gerar satisfações e justificativas a cada
atitude minha àqueles que se acham no direito de serem possuidores de mim.
Talvez meu pecado seja apenas assistir enquanto mentiras e calúnias são ditas,
fatos distorcidos, suposições feitas e teorias mirabolantes elaboradas.
Por que para a maioria das pessoas, é mais fácil apenas
acreditar em quem está presente, a buscar lapidar a verdadeira verdade. Enquanto
isso continuo aqui, me fingindo de cega, surda, muda; fazendo de conta que no
fim das contas, algo sobre tudo isso fará sentido.
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