"Toda pessoa já é talentosa por natureza. Porque você sabe usar o discurso: você fala com sua mãe de um jeito; com o policial de outro; com o porteiro do prédio de outro; com o seu filho de outro... O discurso se adequa. Eu na verdade tenho o anseio de estar o tempo todo de certa forma alterando a sensibilidade, a consciência das pessoas; mas ao mesmo tempo, tenho um desejo muito da simplicidade, da naturalidade, de estar dizendo às vezes umas coisas que são óbvias, só que as pessoas não estavam vendo sob aquela óptica, aquele ponto de vista. Daí as pessoas falam da alma ser aquilo que você tem “lá dentro”, escondido no fundo, mas a alma está na pele. E a música traz muito isso. Por isso que ela faz a pele arrepiar, o pé bater no ritmo, as pessoas dançarem, ela move a coisa do corpo.
Eu acho que a questão da arte está muito em
como você faz as coisas, talvez mais do que no que você faz. Sempre que eu vou
fazer uma canção, ou mesmo escrever algo, parece que eu não sei se eu vou
conseguir, é sempre uma aventura; e então eu acabo dando um jeito e consigo,
mas não conseguir está sempre presente. Eu posso não conseguir.
O tempo todo é um contraponto de ação e
repouso, de fala e silêncio, de som e silêncio, você têm o pé e o espaço para
dar o passo. Tem o vazio, e isso que faz a coisa se movimentar.
Eu gosto da coisa profana, da coisa híbrida,
da coisa mestiça, suja, gosto do berro, a voz que tem o elemento do ruído
incorporado. Pra mim, criar sempre foi um sintoma de bem estar, um sintoma de
que eu estou alegre. Acho que qualquer pessoa quer estar bem, acho que isso
deveria ser um princípio comum a todo mundo."
Gosto bastante dessa fala dele, resume bem muita coisa que eu penso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário