Apesar de não ser cristã há um bom tempo, seria hipócrita em
dizer que a "magia do natal" não me afeta. Não como antes, afinal não
tenho mais aquela ansiedade por saber o que eu vou ganhar, nem me sinto atraída
e ou fascinada pelas luzinhas coloridas de pisca-pisca na árvore. Na verdade,
nem árvore eu monto mais. Perdi a paciência
e acho que a esperança de que tudo vai ser diferente. Afinal, é só uma
data. E amanhã é só mais um dia. Pode ser o dia que eu resolva definitivamente
começar uma dieta, parar de fumar ou conhecer o amor da minha vida. Ou pode ser
só mais um dia em que eu passe dormindo. Só depende da minha vontade.
Entretanto, involuntariamente eu me fecho dentro de mim e reflito sobre minha
vida. Ando fazendo bastante isso ultimamente. Rebobino o filme de certos fatos
específicos em minha mente e os revejo. No fim, faço uma análise comparativa
com fatos semelhantes ocorridos anteriormente, e tento analisar minha resposta
às situações. “Tu julgarás a ti mesmo – respondeu o rei. – É o mais difícil. É
bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um
bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio", já dizia em o pequeno
príncipe. Longe de mim ser sábia, sou apenas uma tola. Uma desconhecedora dos
mistérios da vida. Mas admito que estou tentando aprender. E cá entre nós,
obtive alguns progressos. Estaria eu me tornando gente grande?
Cada dia que passa, percebo que eu realmente estou indo. No
começo, eu levei isso bem na brincadeira. Como das 300 vezes que eu saí de casa
pra morar em outro estado sozinha. Sabendo que a qualquer hora eu podia voltar pra
casa. Dessa vez tem um agravante. Minha casa não vai ser mais aqui. Eu não vou
mais poder ir no Reviver pra pensar e escrever. Não vou mais poder sair com
quem cresceu comigo aqui. Vou "perder" muita gente. Na verdade, vou
perder tudo. Vou despida de toda e qualquer máscara que eu venho usando até
aqui. E não há sensação mais angustiante e libertadora do que a de estar com a
alma nua e crua. Sem sentimentos, quaisquer que sejam. Sem lembranças de
pessoas nos lugares em que eu frequento. Estou ansiosa e angustiada. Terei que
me construir novamente. Mas acho que prefiro ficar demolida por um tempo. Me
curar de fato de tantas mazelas que se
sucederam nos últimos anos. Remover as cicatrizes emocionais que há tanto me perseguem.
O plano é que até o dia 15/02 eu esteja totalmente curada. O fim do mundo não
veio no dia 21, como muitos temiam. Apenas se findou um ciclo e começou outro.
E eu fiz questão de que se fechasse esse ciclo de energias negativas que me
envolvia. Estou em paz comigo de novo. Essa mudança será bem aproveitada, eu
prometo. Gostaria de terminar essa crônica com um dos meus trechos favoritos dos poemas
cantados dO Teatro mágico:
"Há uma alma em mim,
Há uma calma que não condiz...
Com a nossa pressa!
Com resto que nos resta
Lamentavelmente eu sou assim...
Um tanto disperso
Às vezes desapareço
Pois depois recomeço
Mas antes me esqueço
Nossa sina é se
ensinar...
A sina nossa é...
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa..."
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