sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Enquanto isso, meu cachecol azul marinho permanece pendurado na janela

NOTAS:
1) Tal texto não possui NENHUM vínculo autobiográfico.
2) Também não possui nenhum vínculo com a realidade e/ou os personagens citados de fato existem. Talvez em algum lugar longínquo existam. Se existirem, não os conheço.
3) O título faz alusão a outro conto, esse sim autobiográfico, nunca findado.


"Te ver dói  Dói porque parte de mim quer correr para os seus braços e permanecer ali. E a outra parte, diz que você não merece tanto. Não merece um décimo de tudo isso que eu estou passando. Não merece minhas lágrimas, meu sofrimento, nem ao menos meu pesar.
Naquela manhã cinza de quarta-feira, quando eu acordei, você estava sentado na cama, com a cabeça baixa. Eu perguntei: Está tudo bem?
E ainda deitada, segurei sua mão. Você a afastou para longe e disse as palavras que me mantém minha alma estilhaçada até agora:
- Acho que não estou pronto, não dá mais pra mim.
Você não pensou duas vezes .Não nos deu a chance de fazermos alguns ajustes e tentarmos fazer do jeito certo. E eu? Bem, eu continuo aqui. Nessa rotina solitária, nesse apartamento vazio. Ouvindo os berros do silêncio; as paredes gritando seu nome. A mesa, antes posta para dois, agora só suporta uma xícara de café. O disco, ainda está na vitrola, do lado Bê, exatamente na mesma faixa que você deixou quando me fez uma surpresa há algumas semanas. Não tive coragem de arrumar suas coisas, pois ao fazê-lo estou aceitando definitivamente o fato de que você não vai voltar. Eu prefiro acreditar que, a qualquer momento, você vai entrar por essa porta e me puxar pela cintura,  e eu serei sua mais uma vez. Acordo todo dia pela manhã e olho para o lugar vazio ao meu lado. Mergulho no seu travesseiro, na tentativa de encontrar resquícios do seu cheiro. Permaneço mergulhada nas cobertas, inerte, rezando para que meu coração pare de bater. E então eu percebo que é hora de ir trabalhar. Pra ser sincera, é a única coisa que tem mantido minha sanidade nas últimas semanas. Não tenho mais motivos para voltar pra casa. Não tenho motivos para sair de casa. Nada mais importa quando se já perdeu tudo. Permaneço presa nesse apartamento. Presa a o que esse apartamento um dia foi. Cheio. Cheio de planos, de amor, de paixão... E hoje, mesmo que a distância entre as paredes seja curta, ele está vazio. Eu estou vazia. É difícil guardar um rio quando ele corre dentro de nós.  Então eu desabo. E as lágrimas são inevitáveis. Eu mudei. Meu corpo mudou. Me tornei o sobrou de nós. Apenas lembranças. Diálogos imaginários entre nós dois,abraços, beijos. Nós dois sendo felizes juntos. Aqui dentro, crescia aquele ou aquela que seria nosso maior tesouro, a razão pela qual lutaríamos sempre. Acho que você não sabia disso. Estava esperando para te fazer uma surpresa, quando completássemos mais um mês juntos. Essa criança também se foi, sabia? Não por culpa minha, mas por culpa do meu estado emocional abalado, disse o médico. Não sei até que ponto isso foi bom. Não me sentiria confortável sendo mãe de um filho seu sabendo que você não estava feliz com isso. Não quero que finja sentimentos por mim. Não quero que segure minha mão se tem a intenção de soltá-la. A saudade tem consumido muito de mim. A verdade sempre vai ser que a distância vai impedir o toque, mas nunca o sentimento.
Não se preocupe comigo. Uma hora irei acordar pela manhã e dizer que já chega de tanto. De tanto sonhar com algo que não vai voltar atrás. Espero que você fique bem, porque eu irei ficar.
Um beijo de quem um dia te amou,
G."

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